Grandes marcas, por décadas, trabalharam (sem saber) a criação de um inconsciente coletivo que somente agora começa a ressaltar-se com verdade na mente das grandes populações.
Esse trabalho começou através de um grande clichê, que a hipocrisia dos escritórios de Madman jamais sonharam que viria a ser o derradeiro tiro de suas culatras: “o que importa não é ter, é ser”, diziam em seus anúncios, quando, na verdade, tudo que queriam, era que você comprasse seu produto e sumisse logo de lá, ou seja, diziam esse mantra, sem que de fato isso significasse alguma coisa.
Ledo engano, que, dependendo de que lado da mesa você está hoje em dia, pode ter resultado em algo positivo ou algo negativo.
Do lado da mesa onde sentam-se os humanos, ele é positivo. Do lado dos yuppies tardios do novo milênio, donos das marcas de consumo brutal, é péssimo.
Tanto pediu-se, às pessoas, que deixassem de lado o consumismo da década de 80/90, acreditando que isto iria causar o efeito contrário, e atrair pessoas para sua marca (de fato, por um tempo eles conseguiram), que HOJE, as pessoas começaram a REALMENTE acreditar nisso e, além disso, essa ideia tornou-se a essência uma virtude: o consumo consciente.
Há que se lembrar, o consumo é necessário, o consumismo não.
O outro fator que trouxe esse acontecimento à superfície, foi também uma construção de marketing de anos e anos, a poluição conceitual: há tanta opção, que parece restar nenhuma. Nosso vazio e angústia existencial atingiram a estratosfera (décadas depois que o homem pisou na lua, mas atingiram), e agora a bomba de uma guerra fria – e bem desinteressada – está em nossas mãos, ao mesmo tempo que observamos uma chuva de velhos satélites, que antes nos guiavam, caindo sobre nossas cabeças.
Em resumo, aas pessoas estão DESESPERADAS PARA SER algo. Somos uma geração que consegue contar (talvez até sem muito entusiasmo) como nossos pais construíram tudo sozinhos em meio a uma enorme crise, como nossos avós lutaram em guerras, e bisavós cruzaram oceanos em busca de uma vida melhor.
Mas e nós?
Há uma latência gigante no espírito coletivo atual, um tédio generalizado. As pessoas, a maioria delas, vivem um momento blazé ímpar, e uma crise de representatividade sem precedentes.
Qual será nosso grande legado, qual será a nossa grande história, o grande momento de nosso tempo? Sabemos os nomes cada peça de absolutamente tudo que temos, mas não temos ideia de quem somos, e as marcas que mais crescem, são aquelas que conseguem transmitir uma migalha dessa resposta.
Sou sábio? Sou um herói? Sou um criador? Espero que alguma marca me ajude a descobrir.

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